VOZES QUE VÊM DAS TINTAS: UMA LEITURA DA OBRA RETIRANTES, DE PORTINARI, À LUZ DA FORMAÇÃO DE
PROFESSORAS E PROFESSORES DE CIÊNCIAS E BIOLOGIA
pintura e educação científica; Portinari e a educação científica; educação,
ciência e arte.
Esta dissertação investiga o potencial da integração entre arte e ciências no processo de
formação inicial de professoras(es) de ciências e biologia, tomando como eixo central a
análise da obra Retirantes (1944), de Candido Portinari. Ao evidenciar as tensões sociais e as
contradições estruturais da lógica do capital, a produção artística de Portinari favorece uma
prática docente mais humanizada e crítica, permitindo que o conhecimento científico seja
compreendido em sua totalidade histórica e política. O estudo articula a integração entre
linguagens artísticas e saberes científicos como um caminho para o fortalecimento da
identidade e da autonomia docente, fundamentando-se no encantamento como uma estratégia
de resistência à mercantilização e ao desencanto do mundo atual. Metodologicamente,
caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa e exploratória, utilizando a pesquisa documental
e a análise de conteúdo temática para analisar as dimensões ideológicas e sociais da obra
pictórica. O trabalho consiste em identificar na obra de Portinari elementos e problemáticas
que dialogam diretamente com temas científicos, tais como a fome e a seca inscrita nos
corpos, a degradação ambiental e os desequilíbrios ecológicos no bioma da Caatinga, além
das dinâmicas de migração e adaptação como imperativos de conservação e sobrevivência
coletiva. A partir desse percurso, busca-se discutir como o diálogo entre a produção artística e
as problemáticas abordadas pode ampliar a compreensão da realidade social e favorecer a
construção de uma formação docente mais crítica, sensível, humanizada e comprometida com
os desafios contemporâneos do ensino de ciências e biologia.