OS LUGARES (IM)POSSÍVEIS DA POESIA: O DISCURSO DA LOUCURA COMO EXPRESSÃO PARATÓPICA
discurso, paratopia, discurso constituinte.
O presente trabalho analisa a relação entre condições de produção e paratopia, considerando-se que as condições de produção e os lugares discursivos se entrelaçam no movimento de significação dos discursos. Para tal, aplicaremos as categorias de análise na obra Reino dos bichos e dos animais é o meu nome, de Stela do Patrocínio. A pesquisa encontra-se em fase inicial e o tema surgiu no âmbito das discussões do Grupo de Pesquisa Leitura e Produção de discursos (GPLPD). Adotou-se como base teórico metodológica a Análise do discurso, mais especificamente, os conceitos de paratopia e de discurso constituinte de Maingueneau (2006, 2010). De acordo com Maingueneau (2006), os discursos constituintes podem ser compreendidos como aqueles que se autoconstituem, sem a necessidade de outro discurso que os legitimem, uma vez que são fundados sobre uma fonte legitimadora (a tradição, a verdade, a beleza, entre outros). Assim, o discurso literário participa do plano de produção verbal dos discursos constituintes, bem como o discurso filosófico, o religioso e o científico. Nessa perspectiva, a escolha do corpus deu-se pelo fato de que a fala de Stela do Patrocínio passou por uma trajetória nos espaços discursivos. Inicialmente, foi relegada ao espaço da loucura e, posteriormente, alçada à dimensão paratópica, não em sua produção original, mas no processo de mudança das condições de produção. Desse modo, nosso trabalho procura explicar como as condições de produção propiciam que um discurso marginalizado seja enlaçado na dimensão paratópica, legitimando seus dizeres, como é o caso do discurso de Stela do Patrocínio. O texto de Stela revela-se de grande relevância no cenário nacional, considerando-se que este se insere no conjunto de livros de depoimentos de escritores que relatam suas experiências em asilos, assim como é o caso de Lima Barreto e Maura Lopes Cançado, para citar alguns exemplos. Assim, faz-se necessário compreender o funcionamento dos discursos que circulam em nossa sociedade, uma vez que os discursos e os sujeitos que fogem dos padrões e de uma lógica pré-estabelecida são lançados para o espaço da marginalidade, da atopia e do apagamento. Para analisar o discurso paratópico e as condições de produção tomamos por base os pressupostos teóricos e metodológicos da Análise do discurso, de modo mais específico, as contribuições de Dominique Maingueneau (2006, 2010) no que se refere aos conceitos de discurso constituinte e paratopia e as categorias de análise serão aplicadas em um corpus constituído a partir da obra Reino dos bichos e dos animais é o meu nome de Stela do Patrocínio.