QUALIDADE DA MADEIRA E ESTOQUE DE CARBONO: IMPLICAÇÕES NO USO ENERGÉTICO DE Tachigali vulgaris
Silvicultura amazônica; Propriedades da madeira; Pirólise; Sequestro de carbono; Solos tropicais.
A crescente demanda por fontes renováveis de energia tem impulsionado o interesse por espécies florestais capazes de aliar alta produtividade, qualidade da biomassa e contribuição para a mitigação das mudanças climáticas. Nesse contexto, a Tachigali vulgaris destaca-se pelo rápido crescimento, adaptação a diferentes condições edafoclimáticas e potencial para a produção de madeira e bioprodutos. O objetivo desse estudo foi avaliar como a idade cambial e o espaçamento inicial de plantio influenciam a qualidade da madeira e de seus bioprodutos, bem como a produtividade e o estoque de carbono em povoamentos experimentais de T. vulgaris na Amazônia Oriental. Foi realizada coleta de material em área de plantação pertencente à empresa Jari celulose S.A., localizada no município de Almeirim, na mesorregião do Baixo Amazonas, Pará. O experimento foi instalado no ano de 2010 em que serão avaliados 6 espaçamentos distintos (3,0 x 1,5 m; 3,0 x 2,0 m; 3,0 x 2,5 m; 3,0 x 3,0 m; 3,0 x 3,5 m e 3,0 x 4,0 m). A pesquisa está estruturada em três capítulos: (i) análise da qualidade da madeira e da produtividade por meio da densidade básica e da densitometria de raios-X aplicada aos anéis de crescimento; (ii) avaliação da qualidade do carvão vegetal e do biochar obtido em diferentes condições de pirólise, com ênfase em seu uso energético e agrícola; e (iii) investigação das relações entre a anatomia da madeira e a estrutura do carvão vegetal. Os resultados preliminares indicaram que o biochar de Tachigali vulgaris apresentou aumento do teor de carbono fixo e redução de H e O com o incremento da temperatura de pirólise. Em condições acima de 500 °C, observou-se maior estabilidade química e maior área superficial específica. O material produzido nessas temperaturas mostrou pH mais elevado e condutividade elétrica moderada, favorecendo a correção da acidez do solo. Esses resultados confirmam o potencial do biochar como condicionador de solos tropicais de baixa fertilidade e como estratégia de sequestro de carbono estável.