EFEITO DOS EXTRATIVOS NOS PROCESSOS DE COMBUSTÃO E PIRÓLISE DE RESÍDUOS LENHOSOS DA AMAZÔNIA
Composição Química, Poder calorífico, Biomassa, Carvão Vegetal
Utilizar biomassas residuais provenientes de manejo florestal, além de ser fonte de energia renovável, é adequado diante das necessidades atuais de reaproveitamento dos recursos naturais. Diversos fatores podem influenciar a utilização desses resíduos, dentre eles os extrativos, que podem aumentar o poder calorífico da madeira, influenciar a densidade, permeabilidade e rendimentos do processo de pirólise. Entretanto, os estudos sobre as influências dos extrativos na pirólise e combustão não são amplamente conduzidos em espécies nativas da Amazônia. Dessa forma, objetiva-se avaliar a influência do teor de extrativos da madeira nos processos de combustão e pirólise dos resíduos provenientes do manejo florestal. Selecionou-se a biomassa lenhosa de 5 espécies, oriundas dos resíduos do manejo florestal na Amazônia, Dinizia excelsa, Protium cf altissimum, Parkia pendula, Inga spp., e Manilkara spp. Os teores de extrativos totais, extrativos solúveis em acetona, água quente e água fria foram determinados. Foram realizadas análises de poder calorífico superior, análise termogravimétrica (TGA) em atmosfera oxidativa e inerte, análise química imediata, tanto do material in natura como para o material livre de extrativos, e determinado os teores de holocelulose, celulose, hemiceluloses e lignina. A espécie que obteve o maior teor de holocelulose foi Manilkara spp. (75,10%) e o menor foi Dinizia excelsa (58,07%), para lignina total os valores variaram de 27,61% (Inga spp.) a 16,66% (Manilkara spp.), para celulose os valores variaram de 47,86% (Manilkara spp.) a 36,68% (P. altissimum). Para extrativos totais o maior valor foi para a espécie D. excelsa com 16,38% e o menor valor de cinzas para Inga spp com 0,52%. Para os extrativos os maiores valores foram para Manilkara spp (5,91%) para água fria e D. excelsa 9,95% e 6,61% para água quente e acetona. Para química imediata os teores de material volátil variaram de 85,54% (Inga spp) a 79,35% (P. altissimum). As cinzas variaram de 1,31% (Inga spp) a 0,29% (D. excelsa) e os de carbono fixo de 19,84% (D. excelsa) a 13,76% (Inga spp), sendo influenciados pela remoção de extrativos. Não houve diferença significativa entre o poder calorífico superior (PCS) do material in natura e material livre de extrativos, sendo o maior valor para D. excelsa com 20,49 MJ/kg. Nos gráficos de TGA foram verificados que a perda de massa inicial ocorreu entre 100 ºC e 250 ºC. Nas curvas DTG houve diferenças para o material in natura e livre de extrativos, principalmente na temperatura máxima de decomposição, deslocando a curva para temperaturas ligeiramente mais altas. A espécie com melhores valores de caracterização química e energética foi a D. excelsa com altos teores de extrativos, baixo teor de cinzas e melhores propriedades para aplicação do processo de pirólise. Para as espécies D. excelsa e P. altissimum os extrativos reduziram a estabilidade térmica, para P. pendula e Manilkara spp. eles têm pouco efeito na degradação térmica, e para Inga spp., retardam levemente a degradação, mas sem grande impacto na pirólise.